Podcast: Financeirização da Velhice

Aftersix(ty) na mídia – Podcast para o canal ‪@oquerolanageronto‬, publicado em maio de 2025.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=feAnXMfKgT4

O canal ‪@oquerolanageronto‬ entrevistou o Assessor Financeiro de Pessoas Físicas e Consultor de Empresas na área de Tecnologia da Informação, com Mestrado em Ciências do Envelhecimento pela Universidade São Judas Tadeu, Edson dos Santos Moraes, que falou sobre a “financeirização da velhice”, colocando novo foco e novas abordagens ao assunto, tendo em vista que o tema já havia sido discutido pelo canal com o Professor Jorge Felix, em 26/07/2024 (recomendamos assistir este video, como complementação ao assunto da gravação atual). Nesta atualização do tema, Edson Moraes definiu o conceito, explicando como ele se dá na prática e disse por que a longevidade passou a ser um problema econômico no Brasil, o que também acontece nos outros países. Explicou que viver mais numa sociedade capitalista é sinônimo de gastar mais para o Estado, para a sociedade e para a família. A seguir, comentou quando as empresas e o comércio transformam a longevidade num negócio lucrativo, como a financeirização da velhice se manifesta na vida prática e como é viver com dignidade num cenário como este. Afirmou que o lucro não pode estar acima do direito de envelhecer com segurança, pois, afinal, se envelhecer é um privilégio, não deveria ser um peso financeiro, o que deve ser garantido à população brasileira idosa e enfatizou que sua pesquisa leva em conta a chamada “classe média”.

Educação financeira: um passo essencial para envelhecer com dignidade

Envelhecer no Brasil é um processo que exige resiliência.

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2025/05/20/educacao-financeira-um-passo-essencial-para-envelhecer-com-dignidade/

Embora se fale muito sobre saúde física e emocional, pouco se discute sobre um dos pilares fundamentais para a autonomia na velhice: o dinheiro. Mais especificamente, o conhecimento sobre como administrá-lo.

A educação financeira, nesse contexto, é mais do que uma ferramenta de controle: é um instrumento de cuidado e de liberdade. Quando se envelhece com recursos escassos, cada decisão financeira conta. Por isso, compreender as próprias finanças torna-se uma questão de sobrevivência e dignidade.

Foi essa premissa que norteou o estudo de três pesquisadores das Universidades de Coimbra e Federal de Tocantins, que, em 2021, implementaram um programa de educação financeira voltado a idosos de baixa renda na periferia de Palmas (TO). O grupo era formado por pessoas com mais de 60 anos, com renda de até dois salários-mínimos. E os resultados foram impactantes.

Segundo os pesquisadores, os idosos “apropriaram-se de novos conhecimentos sobre planejamento e organização financeira” e “desenvolveram estratégias para organizar o orçamento doméstico buscando a redução do endividamento”.
Durante as oficinas, os participantes refletiram sobre renda, gastos, dívidas e planejamento. A fala de um dos participantes resume bem a realidade de muitos idosos brasileiros: “Eu recebo a minha aposentadoria e ainda não é o fim do mês e já não tenho nada”.

Ao longo dos encontros, conceitos como “dívida”, “compra por impulso” e “planejamento” foram desmistificados. Muitos passaram a registrar suas despesas, planejar as compras e dividir os custos com familiares. Uma senhora contou que costumava pagar todas as contas da casa sozinha. Depois do curso, passou a combinar com o filho que ele pagaria a luz e ela, a água. Isso pode parecer simples, mas é profundamente transformador. Representa a quebra de um ciclo em que o idoso se sente obrigado a sustentar os demais, seja por culpa ou por falta de informação.

Outro aspecto central foi o estímulo ao hábito de poupar. Sem prometer milagres de enriquecimento ou sugerir investimentos complexos, os facilitadores mostraram que guardar pequenas quantias pode fazer diferença em emergências ou até mesmo realizar um desejo com segurança. Um participante relatou que, antes, bastava ter um trocado para gastar com doces. Agora, o dinheiro vai para um cofrinho. E, de quebra, ajuda a controlar sua diabetes.

Há ainda a questão emocional envolvida na relação com o consumo. Muitos idosos relataram dificuldades em dizer “não” aos netos ou impulsividade na hora de comprar presentes. Com as oficinas, passaram a refletir: “Eu paro, penso e depois vejo se compro ou não. E não gasto tudo de uma vez. Só o necessário”.

Esse tipo de educação, centrada na escuta e na troca, é potente. Ela não infantiliza o idoso nem parte do pressuposto de que ele não sabe. Ao contrário, considera sua experiência de vida e oferece ferramentas práticas para lidar com um mercado cada vez mais agressivo, especialmente no que diz respeito a crédito consignado, vendas parceladas e ofertas enganosas.

O estudo confirma o que muitos já intuem: investir em educação financeira é investir em autonomia. E isso vale para todas as idades, mas tem um impacto ainda mais profundo quando oferecido a quem envelhece com poucos recursos, uma vez que nunca é tarde para fazer escolhas mais conscientes. E isso inclui a maneira como lidamos com o nosso dinheiro.

Mesmo com pouco, é possível fazer melhor.
Dignidade também se expressa na capacidade de decidir o que comprar e quando comprar. E se vale mesmo a pena comprar.

Habitação Compartilhada e Cohousing: Soluções inovadoras e econômicas para moradia na velhice

O fenômeno do envelhecimento populacional acelerado traz à tona desafios significativo relacionados à moradia

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2025/04/22/habitacao-compartilhada-e-cohousing/

O fenômeno do envelhecimento populacional acelerado traz à tona desafios significativos relacionados à moradia, especialmente no que diz respeito à autonomia, à qualidade de vida e à integração social das pessoas idosas.

Nesse contexto, modelos alternativos de habitação, como o cohousing e a habitação compartilhada, emergem como soluções inovadoras e econômicas para enfrentar essas questões.

A habitação compartilhada — uma forma mais elegante de se referir ao que os jovens chamam de “república” — oferece uma alternativa mais acessível às formas tradicionais de moradia para idosos. Ao dividir espaços e recursos, os moradores conseguem reduzir despesas com moradia, alimentação e serviços. Além disso, a economia de escala proporcionada por esses modelos permite a otimização dos recursos e a diminuição dos custos operacionais. Espera-se que essa abordagem resulte em uma redução significativa nos gastos com cuidados de saúde e apoio social, além de postergar a necessidade de assistência intensiva e cuidados básicos.

O isolamento social é um dos principais problemas enfrentados por pessoas idosas, impactando negativamente sua saúde física e mental. Modelos de habitação colaborativa, como o cohousing, promovem a interação social e o apoio mútuo entre os residentes. Essas comunidades são projetadas para incentivar a convivência, com espaços privados para moradia e outros comuns que favorecem encontros e atividades coletivas. Estudos indicam que o cohousing pode reduzir significativamente o isolamento social, melhorar a qualidade de vida e trazer benefícios à saúde. Outro ponto positivo é a possibilidade de o indivíduo escolher com quem irá morar, evitando que essa decisão recaia sobre um familiar que, mesmo bem-intencionado, talvez priorize um local bom para si, mas inadequado para a pessoa idosa.

A Organização Mundial da Saúde destaca a importância do envelhecimento ativo, que envolve a otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança para melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Os modelos de cohousing estão alinhados a esse conceito, pois oferecem ambientes que incentivam a autonomia e a participação ativa dos idosos na comunidade. No Brasil, iniciativas nesse formato têm sido associadas à promoção do envelhecimento saudável, permitindo que as pessoas idosas permaneçam em suas comunidades, com suporte adequado.

Apesar dos inúmeros benefícios, a implementação de modelos de habitação compartilhada ainda enfrenta desafios, como a necessidade de regulamentações específicas, financiamento apropriado e mudanças culturais. É fundamental que políticas públicas incentivem e apoiem essas iniciativas, reconhecendo seu potencial de melhorar a qualidade de vida dos idosos e reduzir os custos com cuidados de longo prazo.

Modelos alternativos de moradia, como o cohousing e a habitação compartilhada, representam soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios da moradia na velhice. Ao promoverem a redução de custos e combaterem o isolamento social, essas abordagens contribuem para um envelhecimento mais saudável, autônomo e integrado à comunidade. Investir e apoiar essas iniciativas é essencial para atender às demandas de uma população envelhecida e construir sociedades mais inclusivas e resilientes.

A financeirização da velhice

Risco de transformar longevidade em negócio é alto; bancos, empresas de assistência e seguradoras já fazem do medo do futuro uma opção lucrativa

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 26 de março de 2025

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/03/a-financeirizacao-da-velhice.shtml

O Brasil envelhece rapidamente, e o que deveria ser motivo de celebração se tornou uma preocupação. A longevidade, um dos maiores avanços da humanidade, passou a ser vista como um problema econômico. Em vez de garantir segurança e bem-estar às pessoas idosas, o mercado financeiro as transforma em oportunidades de lucro, explorando sua vulnerabilidade.

A financeirização da velhice ocorre quando serviços essenciais, como saúde, Previdência e moradia, deixam de ser direitos garantidos e se tornam produtos caros. Isso afeta a todos, inclusive os mais jovens, uma vez que o sistema previdenciário enfrenta desafios com a queda na taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida. Se nada for feito, cada aposentado dependerá de um número menor de trabalhadores, levando à promoção de planos privados e crédito consignado. O problema? A grande maioria dos brasileiros não consegue pagar por isso.

As pessoas idosas, que deveriam ser protegidas, tornam-se alvos fáceis. Bancos, seguradoras e empresas de assistência transformam o medo do futuro em um negócio lucrativo. Muitas recorrem a planos de saúde privados por desconfiança no SUS, mas os reajustes constantes as forçam a escolher entre pagar pelo plano ou cobrir despesas básicas.

Para complementar a renda, boa parte opta pelo crédito consignado, que, apesar dos juros abaixo da média de mercado, podem gerar um ciclo de endividamento, especialmente quando usado para ajudar familiares. Já as Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpis), popularmente conhecidas como “casas de repouso”, passaram a ser tratadas como negócios lucrativos, tornando-se acessíveis apenas para uma parcela privilegiada da população.

Se essa lógica continuar, será impossível envelhecer com dignidade sem grandes investimentos individuais. Isso reforça a ideia de que a velhice é um problema econômico e não uma conquista social, abrindo espaço para políticas que reduzem direitos e ampliam desigualdades. Precisamos encarar o envelhecimento não como um fardo, mas como um desafio que exige soluções sustentáveis e justas.

Para isso, é essencial fortalecer políticas públicas, garantindo que as pessoas idosas não dependam exclusivamente do setor privado. Melhorar o SUS, ampliar programas sociais e promover a educação financeira desde a juventude são passos fundamentais para evitar dívidas desnecessárias e planejar melhor a velhice. Também é preciso regular o mercado financeiro, impedindo abusos em planos de saúde e crédito consignado, além de garantir a efetividade da Política Nacional de Cuidados, oferecendo uma rede de suporte acessível e de qualidade. O governo já trabalha para implementar essa política, buscando assegurar que o direito ao cuidado seja efetivado de forma justa e igualitária.

Se não enfrentarmos a financeirização da velhice agora, todos pagaremos o preço no futuro. Envelhecer faz parte da vida, e garantir que isso aconteça com dignidade é uma responsabilidade coletiva. O lucro não pode estar acima do direito de envelhecer com segurança. Afinal, se envelhecer é um privilégio, não deveria ser um peso financeiro.

Vulnerabilidade Financeira: um desafio da velhice

Ao falarmos sobre vulnerabilidade, geralmente pensamos em emoções, fraquezas ou exposição pessoal.

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2025/03/24/vulnerabilidade-financeira-um-desafio-da-velhice/

Ao falarmos sobre vulnerabilidade, geralmente pensamos em emoções, fraquezas ou exposição pessoal.

Porém, existe outra face da vulnerabilidade que impacta profundamente a vida de milhões de brasileiras e brasileiros idosos: a vulnerabilidade financeira.

A falta de planejamento financeiro durante a vida adulta frequentemente resulta em uma velhice marcada por incertezas e restrições. Sem uma base financeira sólida, muitas pessoas idosas são forçadas a depender exclusivamente da aposentadoria pública, quase sempre insuficiente para cobrir despesas básicas, como alimentação, medicamentos e moradia.

Essa insegurança financeira pode levar à fragilização emocional, isolamento social e comprometimento da saúde física e mental. Estudos demonstram que a preocupação constante com dinheiro está diretamente ligada ao aumento de problemas como ansiedade e depressão em qualquer momento da vida, mas, em especial, na velhice.

Além disso, idosos financeiramente vulneráveis têm menos acesso a serviços essenciais e qualidade de vida reduzida, resultando em uma perda significativa de autonomia e independência. Isso gera um ciclo vicioso, onde a falta de recursos limita ainda mais a capacidade de buscar soluções eficazes para melhorar suas condições de vida.

Outro ponto preocupante é o impacto que a vulnerabilidade financeira das pessoas idosas pode ter sobre as famílias. Muitas vezes, parentes próximos precisam assumir responsabilidades financeiras inesperadas, comprometendo também a estabilidade econômica das gerações mais jovens. Isso reforça a necessidade de se pensar o planejamento financeiro não apenas individualmente, mas também de forma coletiva e familiar.

Como prevenir esse cenário? O caminho passa, necessariamente, pelo planejamento financeiro precoce. Políticas públicas que incentivem e facilitem o acesso ao conhecimento sobre finanças pessoais e aposentadoria podem transformar esse panorama, possibilitando uma velhice mais segura e digna. Programas educacionais que abordem esses temas desde cedo são fundamentais para criar uma cultura de prevenção financeira.

Além disso, é crucial que instituições financeiras desenvolvam produtos acessíveis e adequados às necessidades da população mais velha, ampliando as oportunidades de investimento e poupança para garantir uma renda complementar no futuro.

Aceitar a vulnerabilidade emocional não significa resignação, mas um passo essencial para o envelhecimento com qualidade de vida, dignidade e conexões humanas mais profundas e reais. Por outro lado, é urgente a conscientização sobre a importância do preparo financeiro ao longo da vida. Afinal, envelhecer não precisa – e não deve – ser sinônimo de vulnerabilidade financeira. A tranquilidade na velhice começa com as decisões que são tomadas a partir da juventude.

Como a Internet das Coisas está transformando os cuidados na velhice

A Internet das Coisas (IoT) tem revolucionado a vida cotidiana

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2025/02/17/como-a-internet-das-coisas-esta-transformando-os-cuidados-na-velhice/

A Internet das Coisas (IoT) tem revolucionado a vida cotidiana ao conectar dispositivos inteligentes, proporcionando mais eficiência e segurança.

No contexto do envelhecimento, a IoT oferece soluções que promovem autonomia e qualidade de vida, como o monitoramento de saúde em tempo real. Dispositivos vestíveis medem continuamente sinais vitais e enviam dados a médicos e familiares, beneficiando especialmente pessoas idosas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

Além disso, sistemas de alerta de emergência detectam quedas e incidentes, acionando serviços de emergência ou contatos de confiança, o que é essencial para pessoas idosas que vivem sozinhas. A automação residencial também se destaca, permitindo o controle remoto de luzes, fechaduras e sensores, aumentando o conforto e reduzindo riscos, como quedas e invasões domiciliares.

Outro impacto positivo da IoT é a facilitação da socialização. Plataformas de videochamada e redes sociais adaptadas reduzem o isolamento, permitindo que pessoas idosas mantenham contato com familiares e amigos.

No entanto, alguns desafios ainda dificultam a adoção dessas tecnologias, como o custo elevado, interfaces pouco intuitivas e preocupações com privacidade e segurança de dados. Muitas pessoas idosas também enfrentam barreiras de conhecimento digital, tornando essencial o investimento em educação tecnológica.

Para superar esses desafios, políticas públicas e iniciativas privadas devem promover a inclusão digital. Parcerias podem viabilizar a distribuição de dispositivos de baixo custo e subsídios para automação residencial, tornando a tecnologia mais acessível. Além disso, oficinas gratuitas e suporte técnico são fundamentais para que pessoas idosas aprendam a utilizar dispositivos digitais com segurança e confiança.

Além da saúde e da segurança, a IoT também pode transformar a gestão financeira de pessoas idosas. Aplicativos conectados a dispositivos inteligentes ajudam a monitorar gastos, alertam sobre vencimentos de contas e permitem pagamentos automáticos, evitando juros e esquecimentos. Assistentes virtuais auxiliam na organização financeira, fornecendo lembretes e sugestões de orçamento.

A proteção contra fraudes financeiras é outra vantagem da IoT. Dispositivos conectados podem identificar transações suspeitas e alertar usuários e familiares. Tecnologias de reconhecimento biométrico e autenticação multifatorial aumentam a segurança, reduzindo o risco de golpes.

Em um nível mais avançado, a inteligência artificial pode apoiar a educação financeira de pessoas idosas, sugerindo estratégias de economia e auxiliando no planejamento da aposentadoria. Essas inovações contribuem para garantir estabilidade econômica e segurança no futuro.

A IoT está transformando o envelhecimento, oferecendo mais independência, segurança, contato com pessoas queridas e qualidade de vida. Para que seus benefícios alcancem todas as pessoas idosas, é essencial superar desafios como inclusão digital e proteção de dados. Com esforços coordenados entre o setor público, privado e a sociedade civil, a tecnologia pode se tornar uma grande aliada para um envelhecimento mais digno e financeiramente seguro.

Influência sem idade: como criadores 50+ transformam redes sociais em fonte de renda

Nos últimos anos, influenciadores digitais com mais de 50 anos têm desafiado esteriótipos

Publiado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2025/01/22/influencia-sem-idade-como-criadores-50-transformam-redes-sociais-em-fonte-de-renda/

Nos últimos anos, influenciadores digitais com mais de 50 anos têm desafiado estereótipos e conquistado destaque nas redes sociais, transformando suas plataformas em fontes de renda significativas.

Com mais de 57 milhões de brasileiros acima dos 50 anos, esse público se mostra cada vez mais ativo nas redes sociais. Pesquisa da agência Silver Makers, realizada em 2024, aponta cerca de 900 influenciadores entre 45 e 75 anos no Brasil, com 436 deles possuindo mais de 2.000 seguidores em pelo menos uma rede social, evidenciando o potencial desse mercado.

Entre os exemplos de sucesso estão o trio “Avós da Razão”, formado por Gilda Bandeira de Mello, Helena Wiechmann e Sonia Bonetti, todas com mais de 80 anos, que, com humor e autenticidade, discutem temas diversos no YouTube e Instagram, conquistando parcerias com marcas como Bradesco e Boticário. Outro destaque é Ieda Wobeto, de 78 anos, que consolidou sua presença no Instagram após sua participação no Big Brother Brasil 2017, realizando campanhas publicitárias no segmento de moda. Dimas Moura, com o canal @_soumais50, soma cerca de 460 mil seguidores no YouTube e 40 mil no Instagram, produzindo conteúdo sobre viagens, bem-estar e finanças. Costanza Pascolato, aos 85 anos, compartilha sua elegância no Instagram, influenciando gerações com sua experiência no mundo da moda. Luis Baron, aos 62 anos, utiliza suas plataformas digitais para debater temas relacionados à maturidade na comunidade LGBTQIA+, promovendo discussões educativas sobre envelhecimento.

Embora influenciadores masculinos também estejam presentes nas redes sociais, há uma predominância feminina nesse segmento. Mulheres maduras têm se destacado ao compartilhar experiências de vida, dicas de moda, beleza e reflexões sobre a maturidade, conquistando um público amplo e engajado. Esse protagonismo reflete uma mudança significativa na sociedade, onde mulheres acima dos 50 anos desafiam estereótipos e inspiram diversas gerações.

Ainda que a monetização enfrente desafios, a crescente conscientização sobre a importância da representatividade etária tem incentivado investimentos nesse público. Segundo a pesquisa “Creators e Negócios”, realizada pela Brunch e YOUPIX em 2024, 19,24% dos influenciadores, independentemente da idade, ganham até R$ 2.000 mensais; 31,44% entre R$ 2.001 e R$ 5.000; 28,73% entre R$ 5.001 e R$ 10.000; 14,36% entre R$ 10.001 e R$ 20.000; e 6% acima de R$ 20.000. A expectativa é que, com o crescimento do mercado e o aumento do engajamento, influenciadores com mais de 50 anos alcancem as faixas de rendimento mais altas, consolidando seu espaço no universo digital.

Este é o momento de os 50+ repensarem o potencial das redes sociais não apenas como uma ferramenta de expressão, mas como um caminho para transformação. Tornar-se criador ou criadora de conteúdo pode ser a chave para um engajamento social renovado, exploração de novos mercados e a oportunidade de conquistar uma remuneração mais flexível e inovadora, bem distante dos padrões do mercado tradicional.

A relação entre dinheiro e saúde

Envelhecer bem vai além de evitar doenças — trata-se de garantir qualidade de vida

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2024/12/18/a-relacao-entre-dinheiro-e-saude/

Envelhecer bem vai além de evitar doenças — trata-se de garantir qualidade de vida e bem-estar.

A relação entre dinheiro e saúde é um dos pilares dessa equação, mas a chave está em planejar o presente para colher os benefícios no futuro.

Investir em saúde no presente e em planejamento financeiro para o futuro colabora não apenas viver mais, mas viver melhor. O impacto financeiro do envelhecimento saudável é um lembrete de que cuidar do corpo e da mente é também cuidar do bolso — e vice-versa.
O envelhecimento com saúde transcende as barreiras da idade e se traduz em maior autonomia, bem-estar e qualidade de vida. No entanto, alcançar esse objetivo exige mais do que boas práticas como alimentação equilibrada, exercícios físicos e check-ups regulares. Ele também depende, de forma intrínseca, de um planejamento financeiro adequado.

A saúde e a condição financeira estão profundamente interligadas. A saúde influencia diretamente a capacidade de geração de renda, enquanto a situação financeira determina o acesso a cuidados de saúde. Por exemplo, uma pessoa que enfrenta problemas de saúde precoces pode ter sua capacidade de trabalho limitada, reduzindo a poupança e comprometendo a estabilidade financeira. Por outro lado, dificuldades financeiras podem levar a escolhas inadequadas de saúde, como a ausência de tratamentos preventivos ou a incapacidade de manter uma alimentação balanceada.

Envelhecer com saúde tende a reduzir custos com despesas médicas, internações hospitalares e dependência de terceiros, o que também evita gastos elevados com institucionalização. Além disso, a saúde promove uma vida mais ativa, possibilitando que as pessoas se mantenham produtivas por mais tempo, mesmo após a aposentadoria. Essa produtividade pode ser direcionada para atividades remuneradas ou voluntárias, promovendo propósito e integração social, aspectos essenciais para a saúde mental e física.
O planejamento financeiro desempenha um papel crucial no envelhecimento saudável. Ele viabiliza o acesso a serviços de saúde de qualidade, alimentação adequada e condições de vida confortáveis. Além disso, proporciona segurança financeira e reduz o estresse causado por incertezas, fator determinante para o bem estar mental.

Construir uma reserva financeira para a velhice é importante, considerando os custos crescentes da saúde em idades avançadas. Investimentos em previdência, poupança direcionada e seguros de saúde são estratégias fundamentais para garantir uma cobertura adequada.

A educação financeira também é uma ferramenta poderosa, ajudando as pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre gastos, investimentos e prioridades. O letramento financeiro permite compreender o impacto das escolhas no longo prazo, fortalecendo a conexão entre saúde e estabilidade financeira.

Que tal começar agora a construir uma velhice mais saudável e financeiramente estável? Afinal, saúde e dinheiro caminham juntos rumo a uma vida plena em todas as fases.

Gerontologia financeira: você sabe o que é isso?

A gerontologia financeira é um campo relativamente novo, mas de importância crescente

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2024/11/18/gerontologia-financeira-voce-sabe-o-que-e-isso/

A gerontologia financeira é um campo relativamente novo, mas de importância crescente.

À medida que a expectativa de vida aumenta, questões sobre o planejamento e a gestão financeira voltados para o envelhecimento tornam-se cruciais. Essa especialidade da gerontologia aborda não apenas a longevidade econômica – ou seja, como manter uma vida financeira saudável ao longo de toda a vida –, mas também os impactos sociais e as políticas públicas que podem garantir um envelhecimento financeiramente sustentável. Ela surgiu da convergência entre o estudo do envelhecimento e as preocupações com o bem-estar financeiro na velhice.

Desde o final do século XX, com o aumento da expectativa de vida, o foco em garantir a qualidade de vida e a segurança financeira para a velhice tornou-se prioridade. Nos anos 1980 e 1990, países como Estados Unidos e Japão desenvolveram uma base sólida de estudos para compreender as implicações financeiras do envelhecimento. A ideia de que a preparação para a aposentadoria deve começar cedo e ser uma das prioridades da educação financeira ganhou espaço em diversos países. Além dos aspectos de planejamento, a preocupação com as pessoas idosas impulsionou a oferta de serviços financeiros específicos para essa faixa etária e programas destinados a prevenir abusos financeiros e fraudes, problemas recorrentes entre os mais velhos.

O envelhecimento populacional acelerado em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos levou essas nações a adotarem estratégias variadas para apoiar financeiramente as pessoas mais velhas. Políticas que incentivam poupanças de longo prazo, programas de orientação financeira e investimentos em saúde e bem-estar tornaram-se prioritários, promovendo a cultura de planejamento e o respeito pelas pessoas idosas. Incentivos para a manutenção da autonomia financeira são comuns. Além das políticas públicas, há estímulo ao setor privado para desenvolver serviços e produtos específicos, como seguros e previdência privada, voltados para a população idosa. Isso demanda do setor financeiro criatividade para atender a uma população que vive mais e busca um envelhecimento ativo e seguro.

No Brasil, a gerontologia financeira ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Embora o país tenha um dos maiores sistemas previdenciários da América Latina, a cultura de planejamento financeiro de longo prazo ainda é pouco incentivada. Uma pesquisa realizada em 2019 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central, revelou que seis em cada dez brasileiros (59%) admitem não tomar medidas financeiras para se preparar para a velhice.

Nos últimos anos, algumas iniciativas de educação financeira começaram a ser desenvolvidas, como a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), promovida pelo Banco Central, que visa aumentar a conscientização sobre a importância do planejamento financeiro. No entanto, a gerontologia financeira, especificamente, ainda não é abordada com o mesmo enfoque nas políticas públicas. Ao mesmo tempo, cresce a oferta de consultoria financeira voltada para a população idosa, tanto por meio de bancos quanto por especialistas independentes. Com o aumento do número de pessoas idosas e sua longevidade, o país enfrenta o desafio de adaptar sua cultura e políticas para garantir que os mais velhos tenham acesso a informações e serviços que promovam sua independência financeira.

A gerontologia financeira ensina que o envelhecimento financeiro precisa ser planejado de forma consciente e que, ao contrário do que muitos pensam, a preparação para a aposentadoria não se resume a acumular recursos. Trata-se de entender como gerenciar a renda de maneira sustentável, considerando questões como consumo consciente, vida social, saúde, assistência de longo prazo, relações familiares e imprevistos. Além disso, a gerontologia financeira destaca a importância de políticas públicas e de uma cultura financeira que valorize o envelhecimento com dignidade e autonomia.

Ao pensar no envelhecimento, é essencial contar com o apoio de um especialista que compreenda as particularidades dessa fase e auxilie na criação de um plano de vida equilibrado. O envelhecimento planejado com o apoio de um gerontólogo ou gerontologista financeiro pode proporcionar uma aposentadoria mais ativa, confortável e segura, permitindo que os indivíduos vivam plena e dignamente, sem abrir mão de suas aspirações.

Tecnologia Financeira e Inclusão Digital da Pessoa Idosa

Incluir idosos nas tecnologias financeiras é crucial para garantir mais controle, dignidade e autonomia na velhice

Publicado no site da Garza: https://www.garzaif.com.br/2024/10/14/tecnologia-financeira-e-inclusao-digital-da-pessoa-idosa/

Nos últimos anos, o avanço da tecnologia financeira, impulsionado por bancos e fintechs, tem transformado a forma como gerenciamos recursos, oferecendo soluções mais ágeis, acessíveis e personalizadas. No entanto, esse desenvolvimento também apresenta desafios significativos, especialmente quando se trata da inclusão digital de grupos mais vulneráveis, como as pessoas idosas.

A inclusão digital é essencial para integrar o público mais velho ao uso de tecnologias financeiras. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a população idosa está crescendo rapidamente no Brasil, e grande parte dessas pessoas enfrenta dificuldades no acesso e uso das novas tecnologias. O envelhecimento da população, combinado ao rápido avanço das tecnologias digitais, gera um descompasso que pode afastar os idosos de processos fundamentais, como o controle de finanças pessoais, uma vez que muitos não estão familiarizados com o uso de smartphones, computadores ou aplicativos bancários. Isso os impede de acessar produtos financeiros modernos e de baixo custo.

Além das barreiras tecnológicas, questões cognitivas e físicas, como dificuldades de leitura, visão reduzida ou falta de familiaridade com terminologias tecnológicas, também contribuem para a exclusão digital. É fundamental reconhecer essas limitações para que políticas inclusivas sejam criadas, oferecendo suporte à adaptação dos idosos às novas ferramentas.

As fintechs têm trazido uma série de inovações que podem facilitar o gerenciamento financeiro para a população idosa. Aplicativos de banco digital, plataformas de investimento simplificadas e serviços de pagamento eletrônico podem proporcionar maior acessibilidade e controle sobre as finanças.
Contudo, muitos idosos ainda resistem ao uso de novas tecnologias por desconfiança, falta de treinamento ou até por questões relacionadas à socialização. Afinal, para algumas pessoas idosas, ir ao banco é um evento para o qual se preparam e aproveitam para interagir socialmente, vendo e sendo vistos. No entanto, a ausência de funcionários nas agências exige que o cliente tenha algum letramento digital para operar os caixas eletrônicos.

Para garantir que os idosos possam usufruir dos benefícios da tecnologia financeira, é necessário investir em medidas de inclusão digital voltadas a essa faixa etária. Isso inclui programas de alfabetização digital direcionados ao público idoso, o desenvolvimento de plataformas com elementos de acessibilidade, interfaces intuitivas, letras maiores, comandos de voz e simplificação de processos. Além disso, é importante incluir os idosos no processo de testes de aplicativos, facilitando o desenvolvimento de sistemas.

É essencial que fintechs e bancos digitais implementem sistemas de segurança robustos, acompanhados de campanhas de conscientização sobre fraudes digitais direcionadas aos idosos. Informar sobre práticas seguras no ambiente digital é uma medida preventiva importante contra golpes financeiros.

Outro ponto ainda negligenciado pelo mercado é o suporte. Serviços de atendimento ao cliente dedicados aos idosos, com atendimento personalizado e paciência para explicar os processos tecnológicos, podem aumentar a confiança dessa população no uso de dispositivos digitais.

A inclusão dos idosos no uso das tecnologias financeiras é um passo crucial para que possam ter maior controle sobre suas finanças e viver com mais dignidade e autonomia na velhice.